Quinta-feira, Agosto 28, 2008

Ficou mais difícil a impunidade

O Tribunal Constitucional considera que a investigação do processo Apito Dourado respeitou as exigências previstas na Constituição da República. Indeferido recurso do vice-presidente de Valentim Loureiro em Gondomar.

As escutas telefónicas foram legais e o decreto-lei de 1991, que pune a corrupção no desporto, não é inconstitucional.

Itália - Suspenso concurso de «Miss Freira»

Criticado por ter proposto uma competição que pretendia eleger a freira mais bonita via internet, um padre italiano voltou atrás e suspendeu tudo.

Quarta-feira, Agosto 27, 2008

Nova guerra-fria em perspectiva

As ondas de choque caucasianas ainda mal se fizeram sentir. A demente invasão da Ossétia do Sul e os indícios de que, a seguir, sucederia a da Abkásia, vieram lançar mais perplexidades e perigos na frágil segurança internacional.

Admitamos que a Geórgia é um país e não uma birra bairrista que utilizou a derrocada da URSS para se afirmar como nação soberana. Desde o início da década de noventa do século passado as vicissitudes militares deram às importantes regiões geoestratégicas da Ossétia do Sul e da Abkásia uma independência de facto. Criaram-se mais duas regiões de predomínio étnico russo, a viver sob o guarda-chuva militar de Moscovo, enquanto a Geórgia perdia importância.

Entretanto, os EUA que exultaram com a implosão do império soviético não abdicaram de estender a NATO até à Polónia, Ucrânia e Geórgia num cerco que humilhava o velho nacionalismo russo.

A invasão do Iraque e o reconhecimento de outro país fantoche – o Kosovo – decisões tomadas ao arrepio do direito internacional, fragilizaram a diplomacia americana e dividiram os aliados europeus. Estes factos, que têm em comum a ilegalidade e a força, serviram agora para dar à Rússia o pretexto que lhe faltava para mostrar que já não é a ruína da URSS mas uma nova potência que, como a China e a Índia, se prepara para alterar a correlação de forças geopolítica que, desde a segunda Grande Guerra, ditou a hegemonia americana e dos seus aliados europeus.

O reconhecimento da Ossétia do Sul e da Abkásia, pela Rússia, é uma provocação ao Ocidente e ao direito internacional, mas é difícil ver uma diferença significativa entre a humilhação infligida, por Moscovo à Geórgia e a que a NATO impôs à Sérvia.

Não se vê, de resto, em que possa ser diferente o fundamento que levou – a meu ver bem – Slobodan Milošević a julgamento do TPI das razões que devem sujeitar o ainda presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, a igual medida. Um foi responsável pelo genocídio no Kosovo, onde uma horda de facínoras não era mais recomendável, outro é responsável pela invasão e genocídio da Ossétia do Sul, a que a Rússia pôs cobro.

A única diferença entre Milošević e Saakashvili é em relação aos inimigos. O primeiro teve o azar de lhe calhar Bush e o segundo, Dmitri Medvedev. Perante quatro dirigentes pouco recomendáveis não podemos esquecer que os EUA e a União Europeia foram desafiados e humilhados pela Rússia. O feitiço virou-se contra o feiticeiro e uma nova guerra-fria já começou.

Sem a Rússia, que podia ser aliada da União Europeia e dos EUA, os problemas do Irão, Palestina, Coreia do Norte e Afeganistão, entre outros, não têm resolução à vista. O mundo é um local cada vez mais inseguro e o cowboy americano foi um dos piores flagelos que nos podiam ter calhado.

EUA - Malhas que o petróleo tece

A polícia de Denver prendeu três homens e uma mulher que alegadamente planeavam assassinar o candidato democrata Barack Obama durante a Convenção Democrata que decorre na cidade. Os suspeitos, com ligações a grupos racistas, tinham na sua posse duas espingardas de alta precisão, uma delas equipada com mira telescópica. (Correio da Manhã)

Espaço dos leitores

Escultura em Chicago - EUA (Picasso)

Nota: Desafio os leitores para me explicarem a diferença entre o reconhecimento das independências fantoches da Ossétia do Sul e da Abkásia e a do Kosovo, todas amplamente condenadas, no Ponte Europa, pelo signatário.

Terça-feira, Agosto 26, 2008

Memórias achadas (Crónica)

Quando Agosto se faz mês regressamos às origens para ver os que restam e abraçar os que estimamos.

Os corpos mudam com o tempo. Nos rostos esculpiram-se sulcos que lavram a pele e alteram os traços que nos caracterizaram. A memória devolve a saudade. Uns minutos bastam para acordar afectos, adormecidos durante décadas, que irrompem com fúria e perturbam a razão e a compostura.

Basta um olhar mais terno, um abraço mais estremecido ou um beijo que se alonga uma fracção de segundo, para agitar os sentidos, humedecer os olhos e acelerar as pulsações. O raio do tempo só hiberna os sentimentos, não sepulta afectos, que resistem décadas e mantêm prazos de validade que a conveniência e o decoro deviam ter sepultado.

A vida é uma arma carregada que nos segue com o cano apontado. Tropeçamos em memórias e logo uma descarga nos atinge para voltarmos ao passado, a sangrar por dentro e com fracturas expostas.

O diabo do sono altera-se enquanto as lágrimas nos marejam os olhos. Que insegurança é essa que nos conduz pelo lado proibido da estrada, em sentido contrário?

É apenas um pesadelo de Verão com que o Outono da vida nos sufocou numa derradeira viagem à Primavera. Não tarda que as folhas caiam e, com elas, desfeitas em pranto, as recordações que nos apoquentam. Há um solstício à espera dos equinócios que restam.

Ódio santo

A Irmandade Islâmica ou Sociedade de Irmãos Muçulmanos é uma organização fundamentalista. Recusa as influências ocidentais que alegadamente podem perverter o Islão.

Não admira que o Sindicato dos Médicos do Egipto, organismo liderado maioritariamente por Irmãos Muçulmanos, tenha decidido proibir que os seus filiados façam transplantes de órgãos entre cristãos e muçulmanos.

Irlanda - a ingrata

O ministro para os Assuntos Europeus irlandês, Dick Roche, admitiu que a Irlanda terá de realizar um novo referendo ao Tratado de Lisboa, como forma de evitar o isolamento a que será votada se todos os Estados-membros ratificaram o diploma.

Momento de poesia

Templo de Diana


Na planície dorida
de solidão
percorrida por planuras infinitas
ergue-se em pedra romana
o templo de Diana

É um grito
que vem do fundo do tempo
cavado em ecos
nas pedras das muralhas
e que penetra, como o vento,
as ruas e vielas da cidade
e vai desaguar nas praças solitárias ...

O tempo parou neste Templo
e roeu lentamente o esqueleto de pedras ...
E o musgo, as ervas e as heras
cobrem este chão
outrora sagrado
hoje divinamente pagão ...

Alexandre de Castro

Évora, Fevereiro de 1985

Segunda-feira, Agosto 25, 2008

BE acusa Cavaco de ser "insensível" e "insensato"

Francisco Louçã não poupa nas críticas ao Presidente da República por ter vetado o novo regime jurídico do divórcio, defendendo que Cavaco Silva se apoiou em conceitos reaccionários.

Comentário: Os portugueses devem ajudar o PR a terminar com dignidade o mandato e impedir que se converta num chefe de facção.

Associação Ateísta Portuguesa

Em nome da laicidade e da separação Igreja/Estado, a Associação Ateísta Portuguesa repudia as manobras do episcopado católico para impor a sua doutrina sobre o divórcio a todos os portugueses.

Lisboa, 22 de Agosto de 2008: A Associação Ateísta Portuguesa verifica que tendo a I República instituído o divórcio em 3 de Novembro de 1910, direito que foi praticamente revogado na vigência da ditadura, com a coacção da Igreja católica, através da Concordata de 7 de Maio de 1940, nunca o clero romano deixou de o condenar – o que é um direito –, nem de o querer impedir aos portugueses – o que é uma prepotência.

Na sequência da aprovação de um novo regime jurídico do divórcio que visava a revisão do anterior, em linha com a evolução que se verifica na Europa, resolveu o Sr. Presidente da República opor um veto político à lei que seis deputados do PSD votaram com o PS, PCP, BE e Verdes, o que levou o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) a regozijar-se – o que era previsível –, e a referir-se à «leviandade com que, muitas vezes, o Parlamento produz leis» – o que é, no mínimo, um acto de desrespeito pela Assembleia da República, próprio de quem não respeita os órgãos da soberania democraticamente eleitos.

O bispo Carlos Azevedo, considerou a filosofia do novo regime jurídico do divórcio «ofensiva do valor da religião para a estabilidade das relações afectivas, da capacidade de perdoar e de manter os compromissos, mesmo quando as condições mudam e exigem sacrifício», como se a religião tivesse valor universal e os cônjuges fossem obrigados a suportar todas as violências para serem fiéis à doutrina que o senhor bispo quer impor aos portugueses.

Para a Igreja Católica, segundo o porta-voz da CEP, «o regime jurídico deve defender a unidade da família porque ela é um bem para a sociedade», ignorando a gravidade das situações que conduzem ao divórcio.

A Associação Ateísta Portuguesa nega ao clero católico o exclusivo da experiência e da autoridade em questões de família e, reafirmando a defesa do divórcio e a legitimidade da Assembleia da República em melhorar o regime jurídico, denuncia a coação que a Igreja católica pretende exercer sobre quem tem o direito e a obrigação de legislar e, sobretudo, a vocação totalitária para impor os seus preconceitos, não apenas aos seus crentes, mas a todos os portugueses.

Em nome da laicidade e da separação Igreja/Estado, a Associação Ateísta Portuguesa repudia as manobras do episcopado católico para impor a sua doutrina sobre o divórcio a todos os portugueses.

Domingo, Agosto 24, 2008

São inimputáveis

Magistrados do MP e juízes fazem avaliação negativa das alterações de códigos penais.

Se os dois sindicalistas, António Cluny e António Martins têm o direito de fazer uma «avalição negativa das alterações dos códigos penais» e de afirmar que os «partidos não estão interessados em resolver problemas políticos», sinto-me no direito, como cidadão, de condenar os dois medíocres políticos e considerá-los perigosos para a democracia.

Os magistrados que não respeitam os órgãos eleitos não merecem exercer as funções que o Estado lhes confia.

Sábado, Agosto 23, 2008

Opus Dei - Seita perigosa

Constitucionalista, escritora, bloguista, assessora do ministro Luís Amado, filha do ex-presidente do CDS e ex-ministro de Salazar Adriano Moreira, é defensora ardente do casamento das pessoas do mesmo sexo e uma acérrima crítica do fundamentalismo católico. Retrato de uma ansiosa rebelde. (Ler mais no DN)

IURD - Óptimo negócio

Edifício da IURD, no antigo Cinema Império.
Foto de ontem. Enviada por CMR

Sexta-feira, Agosto 22, 2008

Teoria da conspiração

Não pode ser verdade.

Não acredito que, como no tempo da ditadura, haja denunciantes a esconder a mão que faz a denúncia. Não acredito que se refugiem no anonimato os membros de um órgão de soberania não eleito para condicionar a Assembleia da República.

E não posso acreditar que o Senhor Presidente da República pudesse ser cúmplice de quem devia denunciar à opinião pública e aos Tribunais. O respeito pela função não me permite acreditar na cumplicidade do mais alto magistrado da nação nem que ele se prestasse a receber quem fosse capaz de tão pusilânime atitude.

Estou certo de que alguém que tentasse influenciar o PR para condicionar a Assembleia da República seria expulso a pontapé e denunciado ao País.

Este artigo baseou-se em informações falsas.

Quem cala consente

"A grande base doutrinal é a Igreja Católica" - diz Alberto João Jardim sobre a inspiração da sua política.

Santa hipocrisia

Marcelo Rebelo de Sousa considera que a decisão presidencial sobre a nova legislação do divórcio foi "um veto político pela esquerda" e acredita que o PS "vai manter a lei".

Comentário: Se fosse um «veto político pela direita» proibia o divórcio! Ai se pudesse!!!

Quinta-feira, Agosto 21, 2008

ASJ - Factor de descredibilização do poder judicial

Por

A. Horta Pinto

(...) Já tenho dito em vários foruns que os sindicatos dos juízes e dos agentes do Ministério Público se têm comportado como autênticos partidos políticos de oposição à maioria e ao Governo socialistas.

Tais sindicatos nem sequer deviam existir, pelo menos o dos juízes, que são titulares de órgãos de soberania. Os magistrados justificam a existência dos seus sindicatos com o facto de terem uma carreira, e portanto terem o direito de defender os interesses dessa carreira. Mas mesmo dando de barato que assim fosse, só deviam pronunciar-se sobre as leis ou actos do Governo relativos a essa carreira. Mas o que é evidente é que tais sindicatos, sobretudo desde que foi eleita para o Parlamento uma maioria socialista e constituído um Governo socialista, exorbitam manifestamente dessas funções, contestando as mais variadas leis, que nada têm a ver com os seus interesses profissionais. Quase poderia dizer-se que os sindicatos de magistrados são actualmente a principal força de oposição anti-socialista. O descaramento é tal que chegam a criticar o Governo enquanto tal, mesmo sem ser a propósito de uma medida concreta.

Tal comportamento é vergonhoso e viola grosseiramente o princípio constitucional da separação de poderes, que é a base de qualquer Estado de direito democrático.Isto é tanto mais grave quanto é certo que os juízes têm o dever de obediência às leis e o poder de as interpretar e de as aplicar.

Ora como pode esperar-se que os juízes obedeçam às leis e as interpretem e apliquem em conformidade com a sua letra e o seu espírito, quando são eles os primeiros a manifestar-se contra essas mesmas leis? Assim, este comportamento dos sindicatos dos juízes mina a confiança que os cidadãos devem ter no poder judicial. E nunca é demais repetir que à mulher de César não basta ser séria, também tem de o parecer.

Assim, o sindicato dos juízes é o maior factor de descredibilização do poder judicial.

A democracia e a separação de poderes

Nunca vi um deputado ou presidente da Assembleia da República a censurar juízes ou a recomendar que sejam justos e esclarecidos nos julgamentos.

O Governo, qualquer governo depois do 25 de Abril, jamais se permitiu censurar uma sentença, um acórdão ou uma medida cautelar de qualquer juiz. Parece-me uma atitude sensata e consideraria inaceitável o contrário.

Acontece que um arrogante sindicalista, António Martins, alvoroçado com a exposição mediática e política, sem coragem para se submeter a sufrágio eleitoral, sendo juiz de profissão e político por vocação, sai com frequência a condenar medidas do Governo e leis da Assembleia da República.

A Associação Sindical de Juízes é um inaceitável sindicato que diz representar os juízes, membros de um órgão da soberania, e que actua com as mesmas armas e linguagem que qualquer outro sindicato. Tivesse António Martins a cultura, a inteligência e a coragem de Carvalho da Silva e já a CGTP-In teria encontrado o seu futuro substituto.

Em sucessivas declarações à comunicação social, incluindo a entrevista de hoje ao DN, o azougado presidente da ASJ aconselha o PS «a emendar a mão» no novo regime jurídico do divórcio, vetado pelo PR, acusa o legislador (os deputados) de se demitir das suas competências e defende o regime do divórcio ainda em vigor, numa despudorada intromissão na actividade parlamentar e em franco desprezo por um órgão da soberania, a AR, que, contrariamente aos Tribunais, está sujeito ao escrutínio eleitoral.

Os juízes portugueses têm a noção da isenção que o cargo lhes impõe e não se revêem certamente nas impertinências deste sindicalista, mas é essencial que o desautorizem a fim de evitarem que, à semelhança das leis discutidas por este juiz, as sentenças passem a ser contestadas pelos deputados e os ataques aos partidos possam ser retribuídos.

Seria uma catástrofe para o Estado de direito.

Razão contra preconceito

O PS não vai recuar na intenção de pôr fim ao conceito de culpa no divórcio litigioso. Os socialistas admitem alguns reajustamentos à lei - que foi ontem vetada pelo Presidente da República - mas recusam mexer naquela que é a principal inovação do diploma. De acordo com fonte socialista, a maioria parlamentar será "inflexível" nesta matéria.
Comentário: A credibilidade do PS também se julga aqui.